Primeira etapa letiva realizada.

A primeira etapa letiva da Escola Pamáali foi realizada nos dias 26 de março a 8 de junho deste primeiro semestre. Depois de quase três meses nas comunidades alunos e professores voltaram mais uma vez para a escola. Com gás novo e energias renovadas para mais um ano de estudo e trabalho. Durante a primeira etapa letiva foram realizadas várias atividades, incluindo visitas e participação de eventos na região. Algumas atividades e acontecimentos ocorridos serão contados de forma resumida neste post.

Escola Pamáali (foto: Acervo da EIBC).

Mudanças no quadro de professores e chegada de novas turmas de alunos.

Neste ano, voltaram para a EIBC-Pamáali os professores: Raimundo B. Benjamim (Ray), Juvêncio Cardoso (Dzoodzo), Abraão Mendes Viera, Tiago Pacheco e Alfredo Brazão. Sairam do quadro o professor Arcindo Brazão, Floriana Ferreira e Abílio Júlio (secretário). E as novidades no quadro deste ano são: Cleunice Apolinário e Francinaldo Farias (apenas para ensino médio). E para serviços gerais, foram contratados Terezinha Paiva e Roberto Miguel. Apesar de tentativas a coordenação não conseguiu contratar secretário para esse ano junto à Secretaria Municipal, com justificativa de pouco números de alunos matrículas para esse ano (são mais 50). Segundo a SEMEC, uma escola só pode ou tem direito a um secretário quando tem mais de 100 alunos.

A escola recebeu mais duas turmas de alunos neste ano, uma de ensino fundamental e outra de ensino médio (sala de extensão da Escola de Assunção do Içana). As demais turmas anteriores voltaram novamente para continuar os estudos.

Alunos do ensino Médio da Escola Pamáali (foto: Ray Benjamim).

Visitas e presença da EIBC-Pamáali em eventos

A equipe Austríaco formada por seis pessoas Heinz, sua esposa (Elizabeth), dois irmãos (Hans e Peter), um amigo de São Paulo (Rodouf) e Pedrão fotógrafo (para registrar a viagem) acompanhados pelo Adeilson Lopes/ISA e André Baniwa. chegaram na escola Pamáali no dia 13 de abril, depois de dois dias de viagem subindo o rio Içana. Na escola conheceram os setores de atividades como a Estação de Piscicultura, Trilha de Ciências, Viveiros de peixes, Telecentro, Casa de Ciências, Secretaria e Administração. Ainda tiveram um período do dia de aventura no igarapé Pamáali. Foram programadas  apresentação de dramatizações e danças tradicionais nas “noites culturais”. Visita para comunidade também foi incluída na programação que foi realizado no domingo (15/04)  para Maúa Cachoeira.   E no encerramento a avaliação da visita foi  positivo  tanto por parte da coordenação da escola e como para os visitantes. Desceram da escola no dia 17/04.

Na primeira semana de , a EIBC- Pamáali recebeu o grupo Koikwa, formado por parentes Xikrin vindos do estado do Pará e Krahô do estado de Tocantis, acompanhados pela equipe da FUNAI/SGC e Franklin Paulo, ex-professor da escola. A visita durou apenas um dia, o tempo que tiveram para conhecer os setores de atividades e o histórico de construção e implementação da EIBC. Durante a caminhada o professor Juvêncio Cardoso e alunos do último ano de ensino médio apresentaram os setores de atividades como a Estação de Piscicultura e os ambientes de ensino usados.  Durante a noite, exibiram vídeos sobre a cultura de cada povo participante o intercâmbio. Para encerrar a visita, a coordenação organizou um momento de considerações finais e agradecimentos. Segundo, os visitantes, a visita foi interessante e valiosa. “Gostamos muito de conhecer a escola de vocês, todas as experiências que conhecemos aqui servirão de inspiração para continuamos a luta nas nossas terras”-disse Miguelito, professor Krahô.

 E no mesmo período da visita do grupo Koikwa, chegou na Escola Pamáali a Laíse Diniz, que colabora com o Projeto de Educação Escolar Indígena do Rio Negro, especificamente com a EIBC desde 2011. Mas, dessa vez chegou como consultora do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas). A  Laíse foi convidada para fazer o trabalho de levantamento de dados sobre a possibilidade de formulação de avaliações especificamente para escolas e alunos indígena, como a Prova Brasil e outros tipos de avaliação usadas pelo Ministério da Educação para avaliar o índice de desenvolvimento da Educação no Brasil. Para realizar essas consultas foram selecionadas algumas poucas escolas no país  tidas como “experiências exitosas” , no Rio Negro apenas a Escola Tuyuka e EIBC-Pamáali. Alunos e professores foram entrevistados, com base nas orientações do questionário elaborado pelo próprio instituto. Segundo a consultora, a proposta é uma resposta do MEC às inúmeras reivindicações de professores e escolas indígenas, é boa a intenção do Ministério, mas, não será nada fácil. “A Proposta é boa, mas, é complicado, porque,  as escolas indígenas são muito diferentes de uma para a outra, ou de um povo para outro. Só pra se ter uma idéia, na semana passada estive fazendo este mesmo trabalho, na Escola Tuyuka (alto Tiquié). E lá é completamente diferente do que aqui (escola Pamáli). As fichas de Avaliação dos alunos, são feitas na língua Tuyuka. Para eles,  as provas teriam  que ser na língua Tuyuka. E, a escola Tuyuka não é muito longe daqui,  está na mesma região (do Rio Negro). Imagine uma escola de outras regiões mais distantes”- disse

Laíse Diniz entrevistando professores da Escola Pamáali (oto: Ray Benjamim)

A escola Pamáali representado pelo Coordenador Geral, Raimundo Benjamim e mais alunos participaram do Encontro Baniwa e Coripaco realizado pela Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco- CABC na comunidade de Castelo Branco no final de março, onde foi lançado o Livro 1 da Série Kaawhiperi Yoodzawaaka (que está disponível para download clicando no link). Onde foram discutidos vários assuntos de interesse dos Povos Baniwa e Coripaco, entre eles a Educação Escolar.  E nos dias 3 a 5 de maio o Professor Alfredo Brazão participou do Seminário de Avaliação do Curso Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável,  realizado pela Universidade Federal do Amazonas. E o mesmo também foi para a Rio+20.

O funcionamento

Como das etapas passadas a Escola Pamáali começou o ano com aulas, seminários, atividades de campo e pesquisas. Mas, o diferente nesse ano em relação as outras etapas, foi na organização dos alunos em grupos de trabalhos e pesquisas, uns coordenados pelos próprios alunos (do último ano de curso) e professores. Que fez com que, além de realizar os “deveres de casa”, ainda passaram mais tempo dedicando às pesquisas e preparação de apresentações. Durante essa primeira etapa, foram realizados três seminários de apresentações de resultados de pesquisas, relacionados às atividades que desenvolvem em campo. Uma busca de novo sentido para o terma “Atividade Prática” na escola. Segundo o professor Juvêncio Cardoso, essa forma de trabalho acrescenta ainda mais o conhecimento dos alunos e professores. E acabam fazendo séries de coisa, como a organização de apresentação usando programas de computador. “Muitos assuntos que não são aprendidos nas aulas, acabam sendo conhecidos nas palestras, e o melhor nisso, é que esses conhecimentos são explorados pelos próprios alunos e nós acabamos aprendendo com eles”- disse animado com os resultados dos seminários realizados  na escola, nessa primeira etapa letiva.

Uma das principais atividades realizadas na na primeira etapa foi a retomada da construção da casa de pimenta e abertura de jardins de pimenteiras. O número de pés de pimenteiras plantadas foram mais de 160.

Oficinas: A Escola Pamáali recebeu alunos e professores da Escola Herieni, do Alto Ayari.

 Nos dias 24 a 30 de abril, professores e alunos da escola Heriene da comunidade de Ucuqui do Alto Ayarí, ex-alunos da Escola Kayakaapali (atualmente alunos de ensino médio da EIBC) e mais alunos do último ano do ensino médio da Pamáali se reuniram na Estação de Pisicultura EIBC, na Oficina de “Revisao de Material para Publicação”, com objetivo de organizar materiais produzidos nessas escolas nos últimos 3 anos para os próximos números da série Kaawhiperi Yoodzawaaka.

Durante 7 dias de Oficina, com a assessoria do Adeilson Lopes do Instituto Socioambiental e coordenação do Tiago Pacheco, professor da EIBC, os participantes da Oficina produziram textos, desenhos com base nas orientações do formato da série.

A Escola Heriene chegou para a Oficina com os ex-professores da Pamáali, a Nazária Andrade Montenegro e Pedro Fontes, e mais alguns alunos.  Segundo, a Naza, na Oficina foram trabalhados 18 monografias (cada monografia um tema), e para cada tema foram produzidos sete desenhos. “Os desenhos feitos são relacionados ao recurso trabalhado, como a distribuição na região do Içana e micro-região /comunidade, origem e também ilustração “-disse.

 Estação de Piscicultura EIBC produziu mais de 70 mil alevinos.

Nesse ano, a Estação de Pisicultura EIBC produziu 72 mil alevino, as espécies reproduzidas foram: 46 mil alevinos de Aracú de três pintas (Leporinus friderici) e 26 mil de Jandiá (Randian Iaukidi). O método de reprodução Asiática, foi o procedimento usado pelos técnicos da estação  para conseguir esse número. Em poucas semanas, os alevinos já estavam transferidas das incubadoras para os viveiros-berçarios da estação. Segundo o Juvêncio Cardoso, Coordenador Técnico e professor de Pisicultura da EIBC-Pamáali, as práticas deram bons resultados. “Apesar de não conseguirmos as piracemas, conseguimos reproduzir as espécies que temos na escola. Conseguimos resultados positivos. Os alunos e principalmente os novos monitores técnicos da estação participaram da atividade de reprodução”- disse.

Experiências: Escola Pamáali implantou micro-turbina  hidrocinética para geração de energia.

Desde que o Ensino Médio foi implantado na Escola Pamáali , ainda que anexa à Escola de Assunção do Içana, foi também criado o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Kaalikattaadapa—CPDEK, com objetivo de se tornar um espaço de formação e incentivo a inovação e pesquisa aos alunos do ensino médio. Desde então, várias experiências e pesquisas vem sendo desenvolvidas. Como a extração de oleo de patauá  (Oenocarpus bataua) e Warhe. E nos últimos anos, por meio de um grupo de pesquisa (alunos), coordenado pelo professor Juvêncio Cardoso e incentivo/colaboração de várias pessoas (Adeilson Lopes/ISA, Gustavo Tosello Pinheiro, Jorge Nava) e com apoio financeiro da CAFOD (Agência Americana para o Desenvolvimento), através do Programa Indígena/Mudanças Climáticas foi instalado a turbina hidrocinética na EIBC-Pamáali. Com capacidade para gerar 1000 watts. A turbina foi instalada a 2 km da escola em um igarapé.  A turbina Hidro Tec foi adquirido no Vietnã, outro lado do mundo (no continente Asiático), pelo Instituto Socioambiental-ISA, que vem apoiando essa iniciativa. A proposta é expandir essa experiência para a região do Rio Içana, e futuramente para o Rio Negro. Essa tecnologia deve ser implantada na região, pois, ajudaria bastante na redução de emissão do dióxido de carbono (co2), e consequentemente colaboraria na luta contra a crise planetária (Mudanças Climáticas), efeitos que estamos começando a sentir hoje na região.

Dificuldades

Não só a Escola Pamáali como todas as escolas do Municipio do sistema municipal receberam os materiais e merenda escolar muito atrasado. Na EIBC-Pamáali a merenda e os materiais foram recebidas apenas no dia 23 de maio. O que prejudicou bastante as atividades pedagógicas da escola. Não é só nesse ano. Em 2011, a segunda remessa da merenda escolar não chegou em nenhuma escola da região do Médio e Alto Içana. Desde o ano passado a internet não está funcionando, o que continuou na primeira etapa letiva, apesar de tentativas de contato com a Assistência Técnica da Embratel, mas, sem sucesso (a previsão de manutenção é para esse mês de julho). O que dificultou bastante a comunicação da escola com os parceiros e colaborados, como também na atualização de notícias através das redes sociais nas quais a escola está cadastrada.

Apesar destes lados fracos, a EIBC está se esforçando para cumprir seu objetivo e realizar seu compromisso com os Povos Baniwa e Coripco e com apoio todos que colaboram com essa árdua missão. A segunda etapa letiva acontecerá nos meses de agosto-outubro.  (E outras atividades realizadas durante a primeira etapa serão melhor detalhadas nos próximos posts).

Ray Benjamim – Coordenador Geral da Escola Pamáali/2012.

Leia mais sobre a primeira etapa letiva na edição 2/2012 o Boletim Informativo da Escola: Pitsiro Pamáali.

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Sobre Escola Pamaali

A Escola Pamáali é um resultado de construção da Educação Escolar própria pelos povos Baniwa e Coripaco, que iniciou desde meados da década de 90 (reuniões e grandes Encontro de Educação escolar Baniwa e Coripco). Começou a funcionar a partir do ano 2000 com 35 alunos. Hoje a EIBC-Pamáali é uma das referências em Educação escolar indígena na região do Alto Rio Negro.

Publicado em 03/07/2012, em 10 anos, ACEP, Alunos da Pamáali, Comemorações, Conheça mais a Pamáali, Cotidiano na Escola, Cultura, Educação, Ensino Fundamental, Ensino Médio Baniwa e Coripaco, Eventos, Imagens da Pamáali, Intercambios, Manejo Ambiental, Movimento Indígena, Notícias, Novidades da Escola Pamáali, Pesquisas, Política, Professores, Professores da Pamáali, Projeto Pisicultura, Publicações, Quem esteve na Pamaali, Quem são os Baniwa?, Seminários na Pamáali, Sobre os Baniwa e Coripaco, Sustentabilidade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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