Professores Pamáali 2011: Tiago Pacheco

Nasceu e deu seus primeiros passos em Dekaipi, uma comunidade que não fica no Rio Içana. Mas, que fica no alto Içana. Para chegar até há dois caminhos. Primeiro, subir o igarapé Dzawiali e a segunda é caminhar algumas horas numa trilha que começa em São Joaquim. Antes de se tornar aluno da Pamáali, passava na frente do local, nas viagens que faziam com seus pais, descendo e subindo o Içana. Os anos se foram e a escola foi implantada.

Entre os três alunos Coripaco que chegaram pela primeira vez na escola, ele era o mais jovem. Apenas 14 anos de idade em 2000. Dificuldades no começo foram grandes. Entre eles, a fala. Sabia falar apenas a sua língua materna e um pouquinho de português que aprendeu na escola. Haviam vários desafios naquele inicio de uma caminhada que duraria anos.  Pensou em desistir algumas vezes. Mas, não desistiu. Cada dia que passava, aprendia a falar novas frases em  Baniwa e melhorava o português.

Dois anos depois,  entender e falar Baniwa não era mais o problema. Naqueles anos já tinha mais alunos Coripaco nas outras turmas. Em dezembro de 2004, na apresentação da monografia de conclusão. Ele pensa que está falando em Coripaco, e minutos depois do seu discurso, dá uma pausa. E fica sorrindo. “Não sei mais quando falo Coripaco e quando falo Baniwa, pra mim parece todo igual”.  Durante os anos que se passaram, os avanços foram grandes. Agora, a expressão na língua portuguesa não é a mesma do que antes. E Baniwa se tornou sua língua fluente no cotidiano.

De Técnico em SAFs à Professor da escola da Pamáali


O talento do jovem o fez chegar a ser integrante da equipe técnica da escola. Servindo de orientador técnico nas construções de barragens e viveiros de piscicultura nas comunidades (próximas da escola). Em 2005, passou dois meses ( Março e Abril), estagiando nas comunidades São Pedro, Caruru, São José II e Cachoeira Comprida no alto Tiquié, com acompanhamento de Pieter (Agronomo) e Tupé (Eng. Florestal), técnicos do Instituto Socioambiental.

No mesmo ano, volta à escola para por em pratica o que aprendeu. Atuando em sala de aula e no campo. Atividades que fez até ao final daquele ano. Naqueles anos, a Pamáali estava passando por mudanças, especialmente do quadro de professores. Não demorou muito para estar entre os mais indicados para atuar na escola. Aceitou o convite.  Pois, sabia que era importante para escola e a ele próprio. Os dois sairiam ganhando. E foi o que aconteceu.

Em março de 2006, volta para escola como professor de História. Iniciando mais uma caminhada na sua trajetória.  Fica na escola até 2007. Durante esses dois anos. Tornou-se referencia em organização de materiais produzidos na escola e um excelente tradutor das línguas Baniwa e Coripaco para português.

Até aqui já passaram setes anos, desde que chegou à escola. Já fez muito pela escola e pelos Baniwa. Um dos objetivos da escola estava quase atingido. Quase porque precisava fazer uma coisa. As comunidades Coripaco já estavam exigindo, por meio de cartas que ele voltasse para a região, contribuir com o que aprendeu na escola. Por isso, no final de 2007, decidiu voltar para a sua região. Atuando como professor numa das maiores comunidades do Alto Içana,  Pana-Panã.  Ajudou a implantar a primeira escola Coripaco com ensino fundamental completo. A Escola Kayakapali. Coordenou a escola nos anos seguintes. E se tornou referência na região Coripaco.

O que levou a ser indicado pela Secretária de Educação, Irmã Edilúcia, ao cargo de Assessor Pedagógico Indígena. Função que exerceu de 2009 a ao segundo semestre de 2010. Durante esses anos, participou das etapas de formação dos APIs, andou nas comunidades orientando professores que atuam nas escolas. E algumas com mais e outras com menos freqüência, por falta de condições, que não é dada por parte do órgão responsável levou a deixar o cargo, em agosto de 2010.

Esse é um pouco da trajetória do Tiago Pacheco, que volta para a Pamáali neste ano para fazer parte do time de jovens que atuarão em 2011.

 

Ray


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Sobre Escola Pamaali

A Escola Pamáali é um resultado de construção da Educação Escolar própria pelos povos Baniwa e Coripaco, que iniciou desde meados da década de 90 (reuniões e grandes Encontro de Educação escolar Baniwa e Coripco). Começou a funcionar a partir do ano 2000 com 35 alunos. Hoje a EIBC-Pamáali é uma das referências em Educação escolar indígena na região do Alto Rio Negro.

Publicado em 16/03/2011, em Conheça mais a Pamáali, Cultura, Educação, Notícias, Professores, Professores da Pamáali. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Laise Lopes Diniz

    Patché é de longe o melhor tradutor com que eu já trabalhei, extremamente dedicado e exigente. Valeu pela oportunidade de trabalhar com ele.

  2. Judite Gonçalves de Albuquerque

    Ray, muito obrigada por me colocar na roda da conversa, nesre reinício de aula na Escola Pamáali! Que saudade! Que vontade de estar aí com vocês, com esses professores que entraram na escola quase meninos, osprimeiros alunos, no ano de 2000 e que agora, conduzem, com tamanha alegria e competência essa escola, totalmente voltada para a realidade o povo Baniwa e Coripaco. Um grande abraço a vocês, professores, aos novos alunos, aos pais. Com carinho e com saudade!
    Judite

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