Povo Coripaco cria a Escola Kayakapali para resgatar e valorizar a Cultura.

 Hoje são mais de dezessete comunidades. O povo Coripaco, se localiza na região fronteiriça com a Colômbia. Comunidades grandes, organizados, os Coripaco são os que vivem ao longo da cabeceira do rio Içana. Falam a língua Coripaco, muito parecida a do Baniwa. Muitos dominam o espanhol, pois, para eles, ir até Mitú uma cidade Colombiana no Alto Waupés, é mais perto do que descer a São Gabriel.

As histórias de contato com a sociedade não-indígena são próximos a dos Baniwa, outras as mesmas. Tradicionalmente povo Coripaco possui suas classificações clanicas como os demais povos, entre eles os maiores são Komadaminanai e kapittiminanai.

A primeira escola de ensino fundamental completo, foi implantado em São Joaquim, comunidade onde desde a década de 60 foi um implantado Pelotão Especial de Fronteira. Com os resultados dessa experiência, comunidades mobilizadas e organizadas pela Organização Indígena das Coripaco do Alto Içana-OICAI, fundada em 1999, começaram a planejar e discutir a sua própria escola. Uma escola que estivesse mais próxima das comunidades, que pudesse ser um meio para resgatar e valorizar a cultura, que vem sendo deixada, pela influencia do cantato. De 2005 a 2006, foram organizadas assembléias envolvendo todas as comunidades Coripaco para a discussão e elaboração e uma proposta de Educação Escolar Coripaco. No final de 2007, a OICAI já contava com uma proposta elaborada e aprovado pelas comunidades, prestes as ser encaminhado a Secretaria Municipal de Educação do Município. Em apoio a outras instituições como o Instituto Socioambiental- ISA e FOIRN, foi atendido e aprovado pela secretaria municipal, a criação de uma nova escola na área dos Coripaco.

Em 2007, iniciaram suas primeiras atividades. A escola funciona em três comunidades, e uma dessas três é a sala-sede da escola. A sede da escola fica na comunidade Coracy, segunda comunidade Coripaco subindo o rio. Que também funciona como sala de aula. Nas comunidades Pana-Panã e Jerusalém funcionam as duas salas. As três salas funcionam com professores permanentes. São dois em cada sala. Desenvolvem suas atividades de acordo com o plano de trabalho elaborado junto com a comunidade local.

Os objetivos da Escola estão voltados para atender as comunidades Coripaco da região. “ Formar pessoas que possam viver dentro e fora da comunidade sem perder sua identidade de origem é o objetivo da nossa escola”- conta o Tiago Pacheco atual coordenador da Escola.

Kayakaápali é o nome escolhido para a escola Coripaco. Na cultura do povo, Kayakapali é nome de um pássaro que imita todos os outros pássaros, e dizem que aprende com muita facilidade os cantos de outros que ainda não conhece e não somente sabe aprender, mas, como também pratica o que aprende. Portanto, a importância e o sentido da escola para o povo Coripaco é aprender conhecimento do próprio povo e de outros povos diferentes, e para depois ser praticado nas comunidades, e assim construir conhecimento.

Neste segundo ano, as comunidades gostaram dos primeiros resultados concretos alcançados. Em cada sala, os professores organizaram aulas de arte. Os pais dos alunos estiveram presentes nesse espaços de ensino-aprendizagem Cada sala produziu diferente produtos artesanais. Na sala I, foram produzidos mini-ralos, na sala II, urutus e sala III, balaios e cerâmica. “ Muitos que não conheciam mais a confecção de urutus e ralos, agora conseguem fazer sozinhos” – conta o coordenador, animado com os resultados obtidos, e que no próximo ano passará a ser Assessor Pedagógico Indígena- API da região do alto Içana.

A comunidade está presente desde a discussão e elaboração dos temas que seus filhos vão estudar e compartilham juntos os resultados. “Ainda há questões que precisamos organizar, como o Projeto Político Pedagógico da escola, que ainda está em processo. Mais acreditamos que não teremos grandes dificuldades, pois, o que estamos fazendo hoje nós ajudará bastante”- comenta o coordenador.

De acordo com o coordenador, a participação da comunidade ajudou bastante a equipe de professores e a coordenação da escola nas reuniões para tomadas de decisões importantes para o funcionamento da Escola. A cada final do ano letivo é realizado um evento em uma sala escolhida, onde as três salas se juntam para apresentar os resultados de trabalhos uns para outros, e também definirem o planejamento para o ano seguinte.

Por Armindo Souza- Aluno do Ensino Médio da EIBC

Postado por: Raimundo Benjamim- Editor Pitsiro Pamáali

 

Anúncios

Sobre Escola Pamaali

A Escola Pamáali é um resultado de construção da Educação Escolar própria pelos povos Baniwa e Coripaco, que iniciou desde meados da década de 90 (reuniões e grandes Encontro de Educação escolar Baniwa e Coripco). Começou a funcionar a partir do ano 2000 com 35 alunos. Hoje a EIBC-Pamáali é uma das referências em Educação escolar indígena na região do Alto Rio Negro.

Publicado em 06/12/2008, em Pitsiro Pamáali. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Andreza Andrade

    Oi Rai… as notícias estão muito boas, parabéns! Continuem postando as novidades que acontecem na Escola EIBC- Pamáali.
    Abraços a todos!
    Andreza- ISA

  2. Professor Robin

    Excelente trabalho ! parabens !
    Logo enviarei as caixas de documentos para a sua biblioteca.
    Abracos,
    Professor Robin

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: