Pitsiro Pamáali: Manejo Ambiental

MANEJO AMBIENTAL: Escassez de Peixe no Rio Içana/Rio Negro

Foto: Alfredo Brazão. Mario Farias- coordenador do Projeto Kophe Koyaanale apresenta resultados da Decisão de Tamanho mínimo de captura de peixes.


Os peixes estão acabando ?

Por Verônica Eliza

O peixe é recurso importante, fonte de proteínas e alimento dos Baniwa e Coripaco de várias formas, como moqueado, salgado, assado, na quinhapira, mojeca, e toda mulher têm o seu jeito de preparar, como achar mais gostoso. Os homens começam a pescar desde os primeiros cinco anos, muitos ainda acompanhados pelos pais, que vai até aos noventa anos de idade. Pescar não é uma atividade exclusiva dos homens, é praticado também pelas mulheres. Os resultados de pesquisa do Projeto Koyaanale, desenvolvido nas 17 comunidades do Médio Içana, desde março de 2006 a março deste ano, com acompanhamento de 293 pescadores e 4434 pescarias, mostram que o percentual dos pescadores que consideram que as pescarias ainda são boas é de 57%, contra 30 % dos que acham fraca e 13% dos que consideram as pescarias ótimas. Os mais velhos das comunidades acham os peixes estão desaparecendo aos poucos, dizem que antigamente conseguiam mais peixes em poucas horas de pescaria do que hoje. Hoje são mais de 90 comunidades na bacia do Içana com cerca de 25 famílias em média em cada uma e são cerca de 100 crianças nascem em cada ano na região. Isso significa que a cada ano aumenta numero de pescadores, numero de famílias e assim, a situação de peixe no rio se torna cada vez mais difícil. O local de pesca mais pressionado é a beira dos rios e depois vem os igarapés. Nestes últimos dez anos, o número de motores aumentou na região, o que conseqüentemente causou desequilíbrio no habitat dos peixes.

Outro fator que influencia nesse aspecto é o uso de diferentes tipos de artes de pesca, embora o numero percentual de uso de anzol ainda é superior que a dos demais, mas, existem diferentes tipos de artes sendo usadas nas pescarias. Entre estes estão os que contribuem para a escassez de peixe, como as artes não-tradicionais, o timbó, a malhadeira, quando não são usados adequadamente. O que fazer para não acabar com os peixes? Cada um de nós, como pescadores devemos ter na consciência que tudo o que a natureza nos oferece hoje são também para as futuras gerações. O que será dos nossos filhos se não soubermos usar os recursos naturais que temos hoje? Se acabarmos com todos os peixes, não respeitarmos as piracemas, casas dos peixes, os filhotes, que futuro estaremos deixando para os nossos filhos? Devemos ajudar e contribuir com idéias que visam o melhor para nós mesmo. Se não soubermos pescar, ou respeitar as medidas tomadas para a sustentabilidade dos recursos, é claro que cada vez mais os peixes vão ficar raros.

Ray

Fonte: Pitsiro Pamáali

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Sobre Escola Pamaali

A Escola Pamáali é um resultado de construção da Educação Escolar própria pelos povos Baniwa e Coripaco, que iniciou desde meados da década de 90 (reuniões e grandes Encontro de Educação escolar Baniwa e Coripco). Começou a funcionar a partir do ano 2000 com 35 alunos. Hoje a EIBC-Pamáali é uma das referências em Educação escolar indígena na região do Alto Rio Negro.

Publicado em 26/08/2008, em Manejo Ambiental. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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