Publicado por: Juvencio Cardoso | 20 20UTC março 20UTC 2009

A segunda edição do Pitsiro Pamáali disponível no Blog para baixar.

Pessoal demorou mas, chegou! Agora você pode baixar a segunda Edição do Pitsiro no link http://www.tarrafa.org/cms/Downloads/Documentos.

Equipe do Pitsiro Pamáali

Sou um antropólogo especializado no estudo dos povos indígenas
amazônicos e gostaria de me apresentar e o meu trabalho à sua
comunidade. Eu tenho trabalhado desde 1980 com os Curripaco (ou
Wakuénai) que vivem ao longo do rio Guainía, na Venezuela,
principalmente com a família Dzawinai (Kadawpurirri) do
falecido Horacio Lopez Pequeira e seu filho, Felix Lopez
Oliveira. Houve também várias famílias Waliperidakena que
vivíam na mesma aldeia, e eu fiz trabalhos de campo em outros
aldeias dos Adzaneni.

Tenho colaborado ao longo dos anos com Robin Wright, dado que
os Baniwa do Brasil partilham uma história comum com os
Curripaco e Wakuenai de Colômbia e Venezuela. Eu era feliz de
conhecer a Robin e a ler a sua dissertação em 1980 antes de
fazer minha investigação doctoral na Venezuela em 1980-1981.
Mais tarde na década de 1980, Robin e eu co-autoria dois
ensaios sobre a vida e legado de Venancio Camico. Foi Robin
Wright quem me deu suas informações de contato eo endereço para
o Pamaali site.

Permitam-me começar por dizer que estou muito impressionado e
satisfeito por saber mais sobre a Escola Pamaali, Pitsiro
Pamhaali, e os outros projetos que voces estão desenvolvendo no
Brasil. Durante muitos anos, tenho esperança de ver projectos
semelhantes de valorização cultural indígena e de educação
desenvolvem na Venezuela. Por razões diversas, estes ainda se
encontram na fase de planificação. Seus projetos no Brasil
daria um excelente modelo para futuros projectos na Venezuela.

Embora minhas áreas de especialização sobreposem com as
interesses de Robin na mitologia e história, também sou
especialmente entreinado e interessado no estudo das artes
musicais indígenas e tem sido escrito sobre as diversas flautas
e trombetas cerimoniais de pudáli (máwi ou yapurutú, déetu,
piti, kulirrína) e canções-diálogos (pakamarantakan). Tenho
também escrito extensamente sobre cantos xamánicos
(malirrikairi) e as músicas e cânticos (malikai) realizada no
parto e no início do sexo masculino e feminino (wakaitaka
ienpiti e wakapeetaka ienpitipe). Em 1993, publiquei um livro
sobre o malikai e malirrikairi chamados “Keepers of the Sacred
Chants: The Poetics of Ritual Power in an Amazonian Society.”

De junho a dezembro de 1998, eu trabalhei com Felix Lopez
Oliveira a fazer transcrições (em Curripaco) de narrativas
míticas sobre Inapirrikuli. A maioria dessas transcrições foram
baseadas em gravações que eu tinha feito com o seu falecido
pai, no início de 1980. Já publiquei recentemente uma tradução
Inglês das narrativas (Made-de-Bone: Trickster Myths, Music,
and History from the Amazon, 2009) e estou esperando para
mandar para uma tradução espanhola do livro a ser publicado no
futuro próximo.

Os originais dos meus gravações (cassettes) de música
instrumental, cânticos, músicas e narrativas são armazenados no
Archivo Nacional de Folclore em Caracas, Venezuela, e no
Arquivo de Música Tradicional em Indiana University nos Estados
Unidos. Em 2006, o Professor Joel Sherzer na Universidade do
Texas convidou-me para participar de seu projeto de fazer uma
digital web Arquivo de Línguas Indígenas da América Latina
(AILLA). Todo os meus gravações já estão disponíveis no AILLA
(www.ailla.utexas.org), que pode ser acessado por qualquer
investigadores após concordar com os termos e condições de
utilização. Na home page do site, você pode escolher entre
Espanhol e Inglês para instruções e navegação do site.

Minhas coleções são listadas em ‘Kurripaco’ (KPC). KPC001 é o
maior dos três conjuntos e contém todas as gravações de música,
cantos, e os discursos que fiz na minha dissertação de
investigação em 1980-1981. Aqui você vai encontrar gravações de
música a partir de pudali, cânticos de parto e do rituais de
início feminino, cantos rituais de cura, canções pessoais, e
muitos outros. KPC002 é um conjunto de gravações (12 horas)
feita por Felix Lopez Oliveira, em Março de 1985 e inclui uma
iniciação ritual do sexo feminino e um início masculino muito
mais largo. KPC003 inclui todas as histórias sobre Inapirrikuli
que eu gravaba com Horacio no início dos anos 1980 e com Felix
em 1998.

Convido você a visitar o site AILLA e ouvir as diversas
gravações, o que também pode ser baixado para o seu próprio
computador. Fiquei muito feliz de poder voltar a trabalhar com
Horacio na década de 1980, desde que ele não era apenas um
sabio de muitos histórias e mitos, mas um altamente respeitado
dono de cânticos (malikai liminali) e talentoso jogador e
fabricante de diversas flautas e trombetas. Ele também tinha
muito conhecimento sobre músicas cerimoniais e muitos outros
temas. Para além dos registos de som, o AILLA site (KPC
colecções) conter as transcrições originais em Curripaco que
fiz em colaboração com Félix, traduções espanholes, várias
fotos do meu trabahlo de campo na década de 1980, e várias das
minhas publicações. Eu espero que vocês irám encontrar estes
materiais úteis em seus projetos de valorização cultural e de
educação entre os Baniwa-Coripaco do Brasil.

Atenciosamente,

Jonathan D. Hill
Professor de Antropologia
Southern Illinois University Carbondale

P.S. Etou mandando-lhes um publicacão minha – anexo – (co-
autorizado com Myla Oliver, uma aluna na programa pos-grado en
nuestro Departamento) sobre as condições de saude entre os
Curripaco/Wakuénai de Venezuela); Los Curripaco del Amazonas:
Un Reconocimiento de Condiciones de Salud en Tres Comunidades.
Co-authored with Myla Oliver. In EL ESTADO DE LA SALUD INDÍGENA
EN VENEZUELA, German Freire and Aime Tillet, Eds. Caracas:
Coordinación de Salud Indígena, Ministerio de Salud y
Desarrollo Social, pp. 20-75.

Professor Jonathan D. Hill
Department of Anthropology, M.C. 4502
Southern Illinois University
Carbondale, IL 62901 U.S.A.
Phone: 618-453-5026
Fax: 618-453-5037

 O documento na íntegra será disponível em breve neste  Blog nos links na categoria “Artigos sobre os Baniwa Coripaco”. Este texto foi  recebido por e-mail e postado por Raimundo Benjamim.

Publicado por: Juvencio Cardoso | 22 22UTC janeiro 22UTC 2009

Você que não esteve no dia 1º de Janeiro em São Gabriel da Cachoeira-AM

Pessoal, como temos comentado nestes ultimos 3 meses pela primeira vez o Municipio mais Indígena do País será comandado pelos próprios Indígenas: Prefeito Tariano e Vice Baniwa.

Leia a matéria publicada no site do Instituto Socioambienta no seguimte link:  http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2835.

 

Abraços

Raimundo Benjamim

Publicado por: Juvencio Cardoso | 6 06UTC dezembro 06UTC 2008

Kawenaadali: Apana pedalia ittaakaita rokinikire.

 Pawali heekoapi apana pedalia. Roapida rottaa rokinikire walikawaittoa, rhoawakatsapida. Hamokadana pida lhie heekoapi. Madzanina pida kamoi, aapapiniri pida hamokani. Kamena pida rhomaka whiiiiiiiii! whiiiiiii!. Aah! Pida roako, rodiapida rokapa kiniki inomapirhe. Makodawana tsenakha pideekani. Koakadapandzena bee pida roako rolhiowakatsa. Hamokadzawapena haapepidani, pandza pida rottaakatsa. Kadzokadantsa pida whiiiiiiiii! whiiiiiiiiiiiii! Whiiiiiiiiiiiiii!, yapipephena hapepida khemakani. Waooo pida rokaleriko, roniko pida roema. Medalimitsa pandza pida roako, rodiatsenakha pida rottaa. Metsa rokaale iñaaka pida khedzapi. Rokoanhaa pida rottaa, kadzokadantsa whiiiii! whiiiiii! whiiiiii! whiiiiii! whiiiiiiiiii!. Rhomapida linoka roikhale. Rhoniko pida roema rhoma pida whiiiiiiiiiiii! whiiiiiiiiiiiiiiiii! whiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Yapipeena haapepida, rhoekokhapani pideekawa, inipo imottokawa pida roema pida rhoma linokatsa rophonte, rhoekonahaape pida kheedza. Rodiadetha pida rokapa roponrhewa karo koaka pakapali, metsa khemakadzawaphena pidani. Kadzokadantsa pida rotodapideeka rhoipawa, rhowakhapanipideekawa. Piñheena nhoa phia itsiri pida roako, rorhoakhee rokapa hiipairikolhe. Doromephena pida rorhoakadzami mhemaphetsa pideekani. Lhiakadana pida noadeka rhomali rhotakolikotsa himatsa. Tsiiiii pida roako roakeneeka roanhe.


Por Maria Miguel (Minha mãe- Raimundo Benjamim)

 

Publicado por: Juvencio Cardoso | 6 06UTC dezembro 06UTC 2008

Indíos na Política: eleitos no dia 5 de Outubro.

 

Juvencio Cardoso/EIBC. No centro. André Fernando, vice-prefeito eleito (PT), na comunidade Tunui Cachoeira, na noite do dia 5 de Outubro, comemorando a Vitória.

Foto: Juvencio Cardoso/EIBC. No centro. André Fernando, vice-prefeito eleito (PT), na comunidade Tunui Cachoeira, na noite do dia 5 de Outubro, comemorando a Vitória.

Candidatos indígenas concorrendo e sendo eleitos em eleições municipais, em muitos estados e municípios brasileiros é um marco recente e vem crescendo em cada pleito. De acordo com o levantamento do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), três vice-prefeitos, mais de 61 vereadores e vereadores, e seis prefeitos indígenas foram eleitos em outubro. Um crescimento de cem por cento em relação aos que ocuparam o cargo após a eleição de 2004.

De acordo com os dados do “Da Aldeia a Câmara Municipal: Candidatos Indígenas nas eleições municipais 2008”, realizado por estudantes do curso de Ciências Sociais da UFPR, só nesse ultimo pleito, foram registrados mais de 350 candidaturas em 150 municípios brasileiros, distribuídos em cerca de 21 estados da federação. E ainda, 70% dos candidatos concorreram nos municípios de pequenos portes, localizados em sua maioria em terras indígenas, onde a população, chega em torno de 10 mil. E em diferentes filiações partidários.

Norte do país, noroeste o estado do Amazonas, o município considerado o mais indígena do Brasil, pela primeira vez comemora a vitoria de Indígenas eleitos no município. São Gabriel da Cachoeira, elegeu o seu primeiro prefeito e vice-prefeito indígena na sua história. Pedro Garcia Tariano (PT) a prefeito e André Baniwa (PV) vice-prefeito foram eleitos com mais de 51% dos 12.319 votos válidos. O Tariano será o primeiro prefeito indígena na historia do município.

A história Indígena na política partidária é recente na história do município. O primeiro indígena a se candidatar a cargo de prefeito, foi exatamente o Pedro Garcia (PT), em 2004. E no ano seguinte se candidatou a Deputado Federal, e nessas duas, não conseguiu ser eleito. A participação dos indígenas em São Gabriel até então foi somente a cargo de vereador. O outro município no Amazonas a eleger prefeito indígena foi o Barreirinha, 331 km de Manaus. Dos 3.666votos válidos, 33,1% foram para Mecias Satere Mawe.

A presença Indígena nas prefeituras e Câmaras Municipais transforma a esperança de muitos em certeza de dias melhores, principalmente aquelas que nunca foram contemplados .

Nokitsienape Baniwa Coripaco

Nokitsienape, kadzo ileekapidzo ikapa lirikoda lhiehe nodananda, manope wakitsienape lhinipaka lhiehe wahipaite, nheewakawatsa ittalikanattiwa lirikoda hamoli hiewaliwatsawa, prefeitonaiwa nheette vereadortsakha. Whaa iemakape São Gabriel da Cachoeira ipirikawaliko, wheeta tsakha wadzaropewa wakitsienapetsa wapidzawanaiwa likoadaaka hamoli ikoawale (prefeitonaiwa). Nhaa wakitsienape tshemonai, Okayalirikoperi nheeta vereadornai nakitsienapetsa ideenhikawape nheette irepresentakawape nhaa neemakawaliko. Whaada ?

Manopenatha wakitsienape ikandidatarikape vereador ikoawale, metsa karottoa pada hiewakawa. Karo nottaita nokaiteka koadaka. Phiadekhani phia ivotarikaita. Koaka wakapali nanako nhaa wakitsienape, nadeenhikaa? Neemakaa? Naanheekhe? Nanewikhiaka?. Manopeena wheetaka yalanawinai, koaka nadzeekatali walhio? Kaatsa koaka! Matsia walhiokani! Nokitsienape, matsiatsera, ima koaka ianheri ikatsani hia. Ima karo pavota paitanako, lhiena neenikatsa koa ikheetteka.

Metsa, waperderika 4 hamoli pandza whaa inialitta. Pawali, kanakaiwatsa wawapiñetaka poadzaphena liodza lhieka hamoli idzenali pandza.

Po Raimundo Benjamim.

Publicado por: Juvencio Cardoso | 6 06UTC dezembro 06UTC 2008

Técnicos da Estação de Piscicultura atende viveiros das comunidades do Baixo Içana.

 

Arquivo EIBC. Alunos e monitores fazendo a despesca de alevinos para serem levados para as comunidades do Baixo Içana

Foto: Arquivo EIBC. Alunos e monitores fazendo a despesca de alevinos para serem levados para as comunidades do Baixo Içana

Entre os dias 08 a 09 de novembro técnicos da Estação de Piscicultura EIBC, acompanhados pelo Rociclaudio representante da FUNAI, estiveram nas comunidades do Baixo Içana realizado a entrega de alevinos de peixes produzidos na estação. Foram atendidos as comunidades Taiaçu, Belém, Castelo Branco, Ambauba, Nazaré, Assunção, Piraiuara, Auxiliadura  e Boa  Vista. Foram distribuídos no total de 640 alevinos das espécies de aracu-tres-pinta (Leporinus fridericy) e aracu-riscado (Leporinus agassizi), em 18 viveiros.  Os viveiros das comunidades atendidas foram construídos nos últimos quatro anos com apoio da FUNAI, a partir de um curso básico de piscultura realizado na comunidade Nazaré por técnicos da EAF/SGC. De acordo com as pessoas que receberam os alevinos, é pela primeira vez que estão recebendo alevinos  produzidos  da Escola  Pamaali  e estão pensando ampliar os viveiros para encomendar peixes da Estação EIBC. Mas, infelizmente os recursos para a articulação dos técnicos da estação nas comunidades, como para o transporte de alevinos para as comunidades mais distantes ainda é bastante limitado.

Por Hernesto Suilo- Monitor Técnico da Estação EIBC

Postado por Raimundo Benjamim- Editor Pitsiro Pamáali

Publicado por: Juvencio Cardoso | 6 06UTC dezembro 06UTC 2008

Nossa História de vida na Pamáali em quatro anos.

Raimundo Benjamim. Alunos da turma A na escola Pamáali.

Foto: Raimundo Benjamim. Alunos da turma A na escola Pamáali.

Chegamos na escola Pamaali em março de 2005. Para nós, era um começo diferente, pelo menos conhecíamos poucas pessoas, apenas alguns que moravam mais próximo de nossas comunidades. No dia seguinte, tínhamos que acordar às 5 horas da manha para tomar banho e ir para tomar café no refeitório, às seis e meia. A hora da abertura oficial da etapa e do ano, se aproximava… E, exatamente as 7h30mim, tem! tem! tem!, o sino para todos irem para o salão da escola. Não se sabia exatamente o que cada um de nós tinha na cabeça. Chegava a hora de apresentação, os primeiros a se apresentarem serão os “novatos”, anunciava a coordenadora Nazária Andrade. Novatos, era como chamavam a nossa turma, que acabava de chegar na escola. Os alunos já de casa, uma turma do quarto ciclo e outra que estava concluindo no ano que estávamos chegando, a segunda da escola. Antes de nos, já tinha três turmas de alunos, por isso com a nossa, a escola completava a quarta turma.

Ainda não nos conhecíamos, um para outro, era estranho. Pessoas de comunidades diferentes, idades diferentes.. Os primeiros dias e semanas foram difíceis. Tivemos que nos adaptar aos horários, cardápio de alimentação e outras coisas que estávamos começando a fazer parte e viver daquele momento em diante. Era uma vida diferente, daquela que ate então tínhamos vivido com os nossos pais nas nossas comunidades. Uma das coisas que nos deixava estranhos era a nossa fala. Um grupo maior falava o “Karo” e o outro menor “ñame”.

Nas primeiras aulas, ficávamos calados, tímidos. Aos poucos fomos conhecendo, começando entender porque estávamos lá, e assim construindo os nossos objetivos e vivendo a vida na Pamáali. Primeiro dia de atividade, vinha o responsável com uma lista de componentes de trabalho, e assim íamos conhecendo outras novas pessoas, conhecendo melhor aos poucos a realidade da escola.

Nem deu pra perceber que evoluímos. Passaram os anos. Muitos de nós, que chegaram meninos, se transformaram. Hoje bem diferentes! Embora, desde o inicio vínhamos tendo uma forte união, que construímos ao longo dos anos, perdemos, alguns de nossos colegas de estudo, por desistência. Mas, entendemos e respeitamos a escolha deles. Hoje somos apenas 28 alunos, dos 35 que chegaram na primeira etapa. Durante esses quatro anos na Escola Pamáali, tivemos a oportunidade de aprofundar o nosso conhecimento, graças a metodologia de ensino deste estabelecimento de ensino. Pesquisas, oficinas de formação nos enriqueceram ao longo destes anos. Hoje depois de quatro anos, e apenas com mais uma etapa letiva para terminarmos o nosso curso. Estamos animados com o resultados que tivemos, a esperança que tínhamos quando chegamos aqui, hoje se transformou em certeza. A nossa formatura se aproxima, mas, ate lá ainda há trabalhos para fazermos.

Por Agnaldo Braga e Miler Alex- Alunos do IV Cilco da Escola Pamáali.

Postado por: Raimundo Benjamim- Editor do Pitsiro Pamáali

Publicado por: Juvencio Cardoso | 6 06UTC dezembro 06UTC 2008

Povo Coripaco cria a Escola Kayakapali para resgatar e valorizar a Cultura.

 Hoje são mais de dezessete comunidades. O povo Coripaco, se localiza na região fronteiriça com a Colômbia. Comunidades grandes, organizados, os Coripaco são os que vivem ao longo da cabeceira do rio Içana. Falam a língua Coripaco, muito parecida a do Baniwa. Muitos dominam o espanhol, pois, para eles, ir até Mitú uma cidade Colombiana no Alto Waupés, é mais perto do que descer a São Gabriel.

As histórias de contato com a sociedade não-indígena são próximos a dos Baniwa, outras as mesmas. Tradicionalmente povo Coripaco possui suas classificações clanicas como os demais povos, entre eles os maiores são Komadaminanai e kapittiminanai.

A primeira escola de ensino fundamental completo, foi implantado em São Joaquim, comunidade onde desde a década de 60 foi um implantado Pelotão Especial de Fronteira. Com os resultados dessa experiência, comunidades mobilizadas e organizadas pela Organização Indígena das Coripaco do Alto Içana-OICAI, fundada em 1999, começaram a planejar e discutir a sua própria escola. Uma escola que estivesse mais próxima das comunidades, que pudesse ser um meio para resgatar e valorizar a cultura, que vem sendo deixada, pela influencia do cantato. De 2005 a 2006, foram organizadas assembléias envolvendo todas as comunidades Coripaco para a discussão e elaboração e uma proposta de Educação Escolar Coripaco. No final de 2007, a OICAI já contava com uma proposta elaborada e aprovado pelas comunidades, prestes as ser encaminhado a Secretaria Municipal de Educação do Município. Em apoio a outras instituições como o Instituto Socioambiental- ISA e FOIRN, foi atendido e aprovado pela secretaria municipal, a criação de uma nova escola na área dos Coripaco.

Em 2007, iniciaram suas primeiras atividades. A escola funciona em três comunidades, e uma dessas três é a sala-sede da escola. A sede da escola fica na comunidade Coracy, segunda comunidade Coripaco subindo o rio. Que também funciona como sala de aula. Nas comunidades Pana-Panã e Jerusalém funcionam as duas salas. As três salas funcionam com professores permanentes. São dois em cada sala. Desenvolvem suas atividades de acordo com o plano de trabalho elaborado junto com a comunidade local.

Os objetivos da Escola estão voltados para atender as comunidades Coripaco da região. “ Formar pessoas que possam viver dentro e fora da comunidade sem perder sua identidade de origem é o objetivo da nossa escola”- conta o Tiago Pacheco atual coordenador da Escola.

Kayakaápali é o nome escolhido para a escola Coripaco. Na cultura do povo, Kayakapali é nome de um pássaro que imita todos os outros pássaros, e dizem que aprende com muita facilidade os cantos de outros que ainda não conhece e não somente sabe aprender, mas, como também pratica o que aprende. Portanto, a importância e o sentido da escola para o povo Coripaco é aprender conhecimento do próprio povo e de outros povos diferentes, e para depois ser praticado nas comunidades, e assim construir conhecimento.

Neste segundo ano, as comunidades gostaram dos primeiros resultados concretos alcançados. Em cada sala, os professores organizaram aulas de arte. Os pais dos alunos estiveram presentes nesse espaços de ensino-aprendizagem Cada sala produziu diferente produtos artesanais. Na sala I, foram produzidos mini-ralos, na sala II, urutus e sala III, balaios e cerâmica. “ Muitos que não conheciam mais a confecção de urutus e ralos, agora conseguem fazer sozinhos” – conta o coordenador, animado com os resultados obtidos, e que no próximo ano passará a ser Assessor Pedagógico Indígena- API da região do alto Içana.

A comunidade está presente desde a discussão e elaboração dos temas que seus filhos vão estudar e compartilham juntos os resultados. “Ainda há questões que precisamos organizar, como o Projeto Político Pedagógico da escola, que ainda está em processo. Mais acreditamos que não teremos grandes dificuldades, pois, o que estamos fazendo hoje nós ajudará bastante”- comenta o coordenador.

De acordo com o coordenador, a participação da comunidade ajudou bastante a equipe de professores e a coordenação da escola nas reuniões para tomadas de decisões importantes para o funcionamento da Escola. A cada final do ano letivo é realizado um evento em uma sala escolhida, onde as três salas se juntam para apresentar os resultados de trabalhos uns para outros, e também definirem o planejamento para o ano seguinte.

Por Armindo Souza- Aluno do Ensino Médio da EIBC

Postado por: Raimundo Benjamim- Editor Pitsiro Pamáali

 

Publicado por: Juvencio Cardoso | 3 03UTC dezembro 03UTC 2008

Robin Writh conta sua História de Pesquisa com os Baniwa, e será levado pelo Pitsiro

A história pouco conhecida chegará pela primeira vez para as comunidades do Içana, através do Pitsiro Pamáali. A história da vida e pesquisa do antropólogo Robin M. Wright, um dos mais importantes nomes na area  pesquisa sobre os Povos Indígenas da Amazônia, e da América do Sul.

História contada pelo próprio autor, traz informações importante ao leitor, especialmente aos mais jovens, que não conheceram esse grande pesquisador.  Você pode conhecer essa história nesse blog, no link *Artigos sobre os Baniwa, *Robin conta sua História de vida e de Pesquisca com os Baniwa.

Raimundo Benjamim- Editor Pitsiro Pamáali

Publicado por: Juvencio Cardoso | 2 02UTC dezembro 02UTC 2008

Pitsiro ou Tshitshiro?

Um leitor na edição anterior, na primeira do Pitsiro Pamáali nos fez a pergunta sobre o nome do jornal da Escola. Como resposta a essa pergunta, começamos o editorial considerando a importancia dessa pergunta para buscar a resposta e assim, melhorar o jornal. Eis o texto abaixo sobre essa pergunta, que será encontrada em paginas do Pitsiro, em BUSCA RAPIDO:

 Pitsiro e Tshitshiro são dois pássaros diferentes. Cada um deles transmite uma mensagem para as pessoas. O primeiro é encontrado somente na margem do rio, dos lagos e igarapés. Transmite más e boas notícias de familiares, parentes e conhecidos de quem ouve o seu canto. Quando canta animado é o sinal que está tudo bem com as pessoas conhecidos, ou que a pessoa vai receber visitas de parentes, para os Baniwa, “Matsiakatsa yakotti”.

Quando ele canta triste ou com sinal de choro é o sinal que alguma coisa está errada ou alguma coisa ruim vai acontecer.

O segundo, é um pássaro visto em qualquer lugar, nas margens do rio, dos lagos e igarapés e no mato. Ele transmite mensagem de sorte, se a pessoa vai conseguir ou não. Ele também transmite mensagens sobre pessoas conhecidas e familiares como o primeiro.

Na mitologia Baniwa, esses pássaros eram gente, e foram transformados pelo Ñapirikoli em pássaros, para irem espionar o seu inimigo Omaiwheri, que era o sogro, do qual o Ñapirikoli tinha roubado a sua filha. O Omaiwheri queria matar-lo por esse motivo. Quando soube disso, o Ñapirikoli enviou os dois, e quando chegaram lá, se transformaram em pássaros viram que ele estava preparando suas armas. Ao chegarem de volta, choraram com o sinal de perigo, e depois o Ñapirikoli os transformou novamente em pessoas, perguntando-lhes o que viram lá, e falaram que não poderam chegar mais perto, porque estava muito perigoso. Desde lá passaram ser símbolos de comunicação.

Raimundo- Pitsiro Pamáali

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